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O Reino Oculto - Capítulo 5

O Reino Oculto - Capítulo 5


 - Creio que eu tenha dado mais prejuízo do que o lucro imaginado inicialmente. Tome essas moedas, por eu ainda estar vivo.


CAPÍTULO 5 

Após recomeçarem a andar, Graham descobriu que Bastian era como ele, sem família - embora nenhum dos dois quisessem se alongar muito no assunto sobre como cada um ficara sem uma família. Andando por aí com Malhado, seu cavalo, levando e trazendo coisas em sua carroça para uma velha senhora. "Você irá conhecê-la no tempo certo" dizia.
Graham rearranjara as caixas para poder se acomodar melhor na parte de trás da carroça. Algumas delas estavam abertas, contendo várias maçãs, sacas de trigo e plantas que ele não reconhecia. Outras estavam fechadas e lacradas e foram difíceis de movê-las, devido ao peso. Logo Graham percebeu que abaixo das caixas pequenas haviam três grandes. Compridas e largas o bastante para ele deitar-se ali dentro. Um leve arrepio percorreu seu corpo. Estavam lacradas como as pequenas e reconheceu que apenas duas delas continha algo dentro e a terceira estava vazia. Preferiu não perguntar a Bastian sobre o conteúdo das caixas, mas começou a se perguntar se realmente fizera uma boa escolha ao se juntar ao velho.
Sentou-se sobre a caixa vazia e olhou ao seu redor. As árvores da floresta estavam ficando cada vez mais densa, o sol logo se tornaria um pontinho de luz que mal conseguiria penetrar naquele mar de árvores. Chegaram a um ponto em que Graham nunca havia nem chegado perto de entrar na floresta em toda a sua vida. Imaginou que a velha para quem Bastian trabalhava não deveria estar muito longe agora, ou seria possível alguém morar tão afastado da companhia humana da vila? Pensou em si mesmo e descobriu que se não fosse por Bastian, talvez ele mesmo teria se isolado no fundo da floresta, longe de todos e, principalmente, longe dos soldados do rei.
A mata estava ficando tão fechada que Malhado estava começando a ter dificuldades para passar, fazendo a carroça quase tombar para todos os lados cada vez que passava pelas grossas raízes das árvores e pedras. A floresta parecia estar querendo impedi-los de passar e Malhado e Bastian pareciam estar lutando juntos contra a vontade dela.
- Para onde exatamente estamos indo? - perguntou receoso.
- Ha! Achei que nunca iria perguntar - Bastian ria divertido. - Para além do rio.
- Além do rio? - Graham ria de nervoso. - Só pode estar brincando. É impossível sair deste reino.
- Para viajar comigo você terá que banir a palavra “impossível” do seu vocabulário - disse Bastian levantando o dedo indicador, num tom de quem sabe das coisas.
- Mas as lendas! Nunca ninguém conseguiu... Pessoas morreram... - Graham pensou em abandonar o velho que parecia completamente louco, mas ao olhar para trás se deu conta de que nunca conseguiria voltar naquela floresta sozinho.
- Lendas! - Bastian fez um gesto com a mão como se quisesse afastar a ideia displicentemente. - Bobagens. Bobagens que o seu rei enfia goela abaixo de vocês no lugar de comida.
- Mas os construtores, todos se recusaram a tentar erguer a ponte novamente. Ninguém quer nem chegar perto. Várias pessoas perderam a vida durante os séculos à mando dos reis antigos que ignoravam a fúria do rio. Até mesmo o nosso atual rei resolveu esquecer essa ponte, assim como o pai dele antes dele. Há quase um século que ninguém ao menos chega perto dessa ponte, você deveria saber.
Bastian apenas riu enquanto continuavam no caminho tortuoso. Graham já podia ouvir ao fundo o som da água correndo.
Seu pai sempre lhe contava a história sobre a ponte misteriosa. Ele mesmo também nunca havia visto a tal ponte com os próprios olhos, mas as histórias que contavam sobre ela corriam o reino todo. A perdição dos reis, a chamavam. Longe dos ouvido de tais, é claro. Nenhum rei gostava de ser lembrado de que havia algo que eles não conseguiam de maneira alguma conquistar. Mas as histórias diziam que todo e qualquer construtor que tentasse recuperar a velha ponte de madeira do fundo do rio, simplesmente morria de alguma forma. A maioria era levado pela correnteza, outros terminavam, misteriosamente, com alguma estaca da própria ponte em seu peito. Outros, tomados por alguma loucura súbita, atavam suas cordas nas árvores na margem do rio e davam um fim à sua própria jornada ali mesmo. Todos os reis arderam com a vontade de atravessar aquele rio e conquistar o que quer que houvesse do outro lado para aumentar sua glória e riquezas. Até mesmo padres foram chamados para acompanhar o trabalho dos construtores e tentar exorcizar a tal ponte. Todos morreram como qualquer outro construtor. Nada tirava a ponte do fundo daquelas águas, nem mesmo a construção de uma nova ponte parecia possível ali onde era o único local de possível travessia para o outro lado. O mesmo se aplicava às embarcações. Todas naufragadas. Com o tempo foi ficando cada vez mais difícil conseguir alguém que se dispusesse a chegar perto da ponte, muitos iam sob ameaça de morte, até que chegaram ao ponto de preferir morrer pela espada do que morrer enfrentando algo tenebroso e sombrio. Com o tempo ela fora esquecida.
Graham não conseguia acreditar que o velho estava mesmo crendo que ia passar para além do rio. Como ele faria isso? Teria ele descoberto alguma forma que ninguém nunca havia pensado antes? A curiosidade de Graham começou a queimar dentro de si e esperou para ver o que aconteceria.
- Muito bem, filho - disse Bastian com calma quando as  árvores começaram a se abrir e dar mais espaço para a carroça passar, entregando uma ampla vista do rio. - Aconteça o que acontecer, fique sentado onde você está.
O caminho acabava ali e rio estava passando à sua frente. O sol brilhava forte acima de suas cabeças, deveria estar marcando agora metade do dia. Protegeu seus olhos da luz repentina do sol, mas mesmo assim pode ver ali o início de uma ponte, com quase 3 metros de largura. Malhado parou em frente à ela, bateu as patas dianteiras, relinchando, impacientemente.
- Calma, calma, já vamos - sussurrou Bastian carinhosamente ao cavalo.
Graham se ergueu sobre as caixas para ver melhor toda a extensão da ponte. Ela se iniciava imponente, com a madeira incrivelmente firme pela extensão de uns 6 metros e então começava a afundar para dentro das águas escuras. Partida ao meio, sem nem sinal dela até a outra margem do rio. Pouco mais de 1 km separava as duas extremidades da ponte. Lá do outro lado Graham avistava o que imaginava que fosse a outra parte dela, cercada pelo verde e grandes montanhas ao fundo.
Ali estava ele, diante da ponte que tantos reis não conseguiram nem chegar perto de desvendar seu segredo. Uma forte rajada de vento varreu seus cabelos para o lado e as águas começaram a correr forte. 
O Reino Oculto - Capítulo 4

O Reino Oculto - Capítulo 4


 Se levantou e saiu andando às cegas, fugindo da catástrofe que ele mesmo trouxera até sua família. Fugiu para que ela não o sugasse direto ao desespero.


CAPÍTULO 4

Acordou zonzo com a luz do sol entrando pelas copas das árvores e o chão se movendo embaixo de si. Levou alguns longos segundos para perceber que seus braços estavam esticados para trás de sua cabeça, levou outros segundos para perceber que estava sendo arrastado por alguém.
- Ei! Me larga!
- Valha-me, Deus!
Graham sentou-se no chão livrando-se das mãos de um velho assustado que agora apertava um chapéu esfarrapado contra o peito, realizando o sinal da cruz.
- Achei que estivesse morto, diabo!
Graham fitou o velho que pôs o chapéu sobre os cabelos desgrenhados e sujos.
- Gostaria de estar - resmungou tentando se colocar de pé. Vários ossos da sua costelas doeram e teve mais noção do sangue seco em seu rosto, proveniente de seu nariz quebrado. Olhou para as roupas em seu próprio corpo, manchadas de lama e sangue de James. Dormira na beira da estrada depois de andar por horas até cair desmaiado, fosse por sono ou fosse por fome. Não podia culpar o velho por achar que ele estava morto.
- Você vive aqui perto? Tem para onde ir?
Graham olhou do velho para a carroça parada logo a frente, cheia de tranqueiras na parte de trás. Na frente, um cavalo forte que parecia aguentar ainda muitos caminhos por vir. As palavras de Lena ecoaram em sua cabeça. “Levante-se e suma de nossas vidas”.
- Não.
- Nesse caso, suba na carroça. Tem um rio ali mais para frente, você precisa se lavar. Você pode me chamar de Bastian. E como eu chamo você?
- Graham - disse arrastando os passos até a carroça.
Estava tão fraco de fome que mal conseguiu subir na parte de trás e largou-se no único espaço entre as caixas fechadas que haviam ali. Bastian, já sentado com as rédeas na mão, olhou para trás observando Graham com curiosidade.
- Tem certeza que não vai cair morto logo? Eu ia vender seu cadáver, sabe, ia me render algumas moedas.
- Não pretendo morrer - respondeu de imediato.
Dando de ombros, virou-se para frente. Ficaram em silêncio durante o trajeto que durou uns cinco minutos. O sacolejo da carroça na parte de trás deixava Graham enjoado, estava fraco demais para aguentar. Assim que a carroça parou se largou contra o chão e engatinhou até a margem do rio. A água estava extremamente gelada e foi um choque para sua garganta assim que a bebeu, mas nem ligou, apenas bebeu toda a água que pode. Poderiam ser 2 ou 10 litros, talvez meio rio, ele não saberia dizer.
- Vá com calma, filho, pode morrer afogado desse jeito - Bastian observava com um olhar um tanto preocupado.
Graham deitou no gramado respirando o ar com força. Seu peito queimava e sentiu-se um pouco mais vivo. Com a ajuda de Bastian, Graham tirou a camisa suja de lama e sangue seco e lavou no rio, lavou seu rosto, lavou seu corpo por inteiro. Tremendo de frio, vestiu blusa e calções que Bastian retirou de uma das caixas da carroça e insistiu veementemente que ele pegasse.
Sentou-se numa das pedras próximas ao rio.
- Se importa se eu perguntar de quem era essa roupa?
- De alguém que não precisa mais.
- Você quer dizer, de alguém que você vendeu o cadáver? - desejou que seu tom tivesse soado um pouco descontraído.
Bastian encarou Graham por alguns momentos. A seriedade e a dureza naqueles olhos azuis e cansados incomodou um pouco a Graham, desejou que o velho falasse algo logo.
- Não - disse simplesmente numa voz sem emoção. - E não tenho mais interesse em vendê-lo, se é isso o que lhe preocupa. Está claramente vivo.
Respirou um tanto aliviado.
- Mas quem anda comprando cadáveres por aqui? Esse tipo de comércio não seria ilegal?
- Por aqui? Ninguém. Se é ilegal? Apenas para os tolos cegos e ignorantes.
Graham ficou encarando o chão pensativo por alguns minutos enquanto Bastian voltava para sua carroça e vasculhava a procura de algo. O velho parecia maluco, ainda mais após a última afirmação. Seus pensamentos, desde a hora que pusera os olhos no cavalo e na carroça do velho, era de se livrar dele e partir com a carroça, que parecia ter toda sorte de coisas escondida naquelas caixas. Por outro lado, sendo maluco ou não, ele o ajudara lhe trazendo até o rio quando não conseguia nem dar dois passos sozinhos, quem diria se lavar. E lhe dera roupas limpas. Velhas e gastas aqui e ali, mas era melhor do que as imundas de sangue. Só não entendia porque ele estava o ajudando.
Graham foi tirado de seus pensamentos quando Bastian apareceu novamente na sua frente, trazendo meio pão nas mãos. Graham agradeceu calorosamente e depois de duas dentadas agradeceu novamente de boca cheia. Bastian apenas sorriu e aguardou em silêncio enquanto Graham devorava o alimento. Quando restou apenas migalhas em sua mãos Graham encarou o velho sem saber exatamente o que falar.
- Por que está me ajudando?
Bastian ajeitou a postura e sorriu novamente.
- Tive meus dias e meus motivos para viver somente para mim mesmo. Estou velho agora e cheio de amarguras. Um velho pode viver seus últimos dias nessa terra tentando fazer algo de bom, não? Mesmo quando isso inclui resgatar homens que não tem para onde ir, dormindo na beira da estrada.
- Isso pode acabar te matando um dia. Chamando homens desconhecidos para subir na sua carroça.
- Se assim os deuses quiserem, que seja. E não é todo dia que o corpo que você arrasta acaba se mostrando alguém que passa por problemas e que precisa de ajuda. Talvez os deuses tenham me colocado em seu caminho por algum motivo.
- Alguém que passa por problemas?
O velho riu.
- Não irei perguntar o que o levou a dormir na estrada, nem de quem era o sangue em suas roupas, mas se quiser alguém para conversar estou bem aqui. A dor e o vazio estampado em seu rosto quando perguntei se tinha pra onde ir, reconheço à quilômetros de distância.
Graham encarou Bastian sem dizer nada. A bondade cega no olhar do velho deixou um aperto no coração de Graham, pois o lembrava de James, que sempre fora o irmão mais bondoso e atencioso com quem quer que fosse, nunca carregando mágoas. No fundo, Graham achava que o irmão, onde quer que estivesse, estaria o perdoando também.
- Talvez não esteja pronto para falar sobre isso agora - disse Bastian quebrando o silêncio. - O tempo está passando e preciso ir andando, tenho assuntos para tratar em outros lugares. Se quiser tem espaço para mais um na parte de trás da carroça. Sabe, ando precisando de um ajudante também, a idade está avançando mais rápido do que eu esperava.
Graham passou a mão pelos cabelos já secos. Não tinha para onde ir, muito menos onde dormir ou o que comer. Sua família o odiava e não o queria por perto. Sem querer pensar muito sobre o assunto, acenou em silêncio, porém, decidido.
- Ótimo! - Bastian esfregou as mãos animadamente. - Vai ser ótimo ter com quem conversar.
Bastian voltou alegremente para as rédeas da carroça. Graham apanhou suas roupas que estavam estendidas sobre uma pedra sob o sol. A camisa não havia secado completamente ainda, porém a dobrou com cuidado e colocou junto a calça. Teria que guardar essa muda com cuidado, era tudo o que ele possuía para passar o que quer que viesse pela frente. Caminhando em direção a carroça sentiu algumas pedrinhas no bolso da calça. Ao tentar se livrar percebeu que não eram pedrinhas, e sim, moedas. Era como se uma mão de ferro apertasse seu coração ao lembrar da expressão de Lena ao atirar aquelas moedas contra seu peito. Caminhou até Bastian.
- Creio que eu tenha dado mais prejuízo do que o lucro imaginado inicialmente. Tome essas moedas, por eu ainda estar vivo.
O Reino Oculto - Capítulo 3

O Reino Oculto - Capítulo 3


 Com uma risada arrastada, levou a mão ao bolso da capa e atirou quatro moedas aos pés de Graham.
- Não foi por isso que você veio me procurar?


CAPÍTULO 3

Por longos minutos todos ficaram em silêncio, tentando absorver tudo o que tinha acontecido. James sem vida estirado no chão. Não havia mais nada nele que lembrasse aquele homem que se tornou quando tentou enfrentar os cavaleiros. Nada de olhar carregado, nada de expressão sombria. Apenas o rosto de um jovem rapaz encarando o céu estrelado com olhos sem vida. Um rosto novo demais para estar sem vida.
Graham não compreendia como as coisas culminaram naquele ponto. Não entendia o que havia acontecido. Soldados do rei deveriam proteger as pessoas do reino, entretanto, nos últimos anos o próprio rei andava cego às barbáries cometidas por seus soldados. Muitos homens, para livrarem suas famílias, e a si mesmo da tirania dos soldados, se juntavam à eles, virando capachos, fazendo o trabalho sujo. Família de Graham, claro, fora contra esse absurdo, principalmente por seus pais terem sido mortos por eles. Poucas famílias se negaram a participar disso. Graham tentara entrar nisso, sem que sua família soubesse. Era a forma que ele vira de sobrevivência. Mas não correu como Graham imaginava. Ele estava apenas tentando sobreviver e garantir segurança e vida boa à sua família. Porém, ali estava seu irmão, morto pela espada que sua obstinação trouxera para casa.
As mãos gentis e trêmulas de Lena fecharam os olhos de James enquanto murmurava uma pequena prece.
- Onde está John? - voz de Graham estava embargada.
- No esconderijo.
Outra pausa. Um silêncio pesado e rançoso rodeava os três, Graham sentia o seu peso.
Brian balançou a cabeça como se saísse de um transe, enxugou as lágrimas grosseiramente e se levantou.
- Vou pegar a pá. Lena, busque o John para fazermos uma oração antes de enterrá-lo.
- Você irá partir essa noite.
Graham olhou confuso para Lena. Achou aquela uma forma estranha de iniciar uma oração.
Lena se levantou ao lado de seu cunhado e fitou Graham, balançando a cabeça como se tivesse numa discussão interna consigo mesma.
- Você irá partir essa noite - repetiu. - Levante-se e suma de nossas vidas.
Graham se ergueu atônito, seu olhar correndo de Lena para Brian, que parecia surpreso com a cunhada mas decidido a apoiá-la.
- Lena, querida, estamos todos em choque. Não vamos decidir nada de cabeça quente.
- Minhas ideias nunca estiveram tão clara quanto agora. Você apenas trouxe vergonha e desgraça para essa casa. Temo pela vida de meu filho, sua presença certamente não trará segurança à ele. Olhe para seu irmão! Olhe o que você causou!
Lena se lançou para frente. Por um momento Graham achou que sua esposa avançaria nele para descontar sua raiva, mas ao invés de atingi-lo ela se abaixou e apanhou as moedas que Bard havia jogado no chão. Com o punho cheio de lama atirou as moedas contra o peito de Graham.
- Pegue o seu prêmio e vá embora.
- Graham, você precisa partir. Já nos causou danos demais. Pelo bem de Lena e de seu filho, John, e em respeito à James, parta dessa casa hoje mesmo.
- Não posso partir. Para onde irei? Não podem me afastar de meu filho!
- Não me interessa para onde você irá, desde que seja bem longe dessa casa e de John.
Graham observou sem palavras as feições de sua esposa e de seu irmão. Mesmo ali fora, no escuro apenas com a luz pálida do luar, conseguia identificar a repulsa estampada no olhar dos dois. O mesmo olhar que aquelas pessoas lá dentro da hospedaria sustentaram ao ouvir seu nome. Se abaixou lentamente para pegar as quatro moedas no chão, sem querer encarar o corpo do irmão logo ali do lado.
- Diga ao John... diga à ele que... - Graham engoliu em seco. Não sabia o que dizer ao filho. - Diga apenas que o amo.
Brian, encarando o chão, se pôs de lado e estendeu a mão aberta em direção à ruela perdida na penumbra do bosque, num convite mudo para que o irmão se retirasse.
~
Se havia algo que poderia quebrar ainda mais tudo o que restava de inteiro em Graham era ver seu pequeno John chorando. Seus soluços cortavam ao vento da noite, choramingando pelo tio morto, perguntando pelo seu pai desaparecido. Mas o pequeno John não estava sozinho. Tinha sua mãe e seu outro tio para reconfortá-lo.
Graham se sentou ao pé de uma árvore, não muito longe de sua casa. Ainda conseguia ver os contornos de Lena abraçada com seu filho e Brian postado ao lado dos dois. O enterro de James foi rápido. Brian com suas mãos ágeis cavou um buraco na parte leste das terras que lhe pertenciam, ao lado dos túmulos de seus pais. Devido ao frio impiedoso de inverno o enterro foi rápido e soluços do pequeno John continuavam a ecoar na noite quando os três entraram no barraco e trancaram a porta.
Graham sentiu vontade de sair da escuridão na qual se escondia, tentar chegar até seu filho, até o tumulo de seu irmão... Mas se sentia incapaz de se levantar. Permaneceu sentado ali durante horas. Viu as luzes em sua casa se apagarem e ficar tudo silencioso. Tentou por os pensamentos alinhados e pensar com clareza no que fazer, mas a confusão que estava em sua mente não era do tipo que se resolveria fechando os olhos e tentando se concentrar para achar uma solução para seus problemas. Se fechasse seus olhos flashbacks de momentos humilhantes e desesperadores tomariam conta dele. Se continuasse sentado ali o fantasma de James o atormentaria. O fantasma de sua morte, o fantasma de todos os acontecimentos daquela noite. Mesmo não tendo para onde ir não queria ficar ali, mesmo ali sendo mais o próximo de seu filho. Se levantou e saiu andando às cegas, fugindo da catástrofe que ele mesmo trouxera até sua família. Fugiu para que ela não o sugasse direto ao desespero.

O Reino Oculto - Capítulo 2

O Reino Oculto - Capítulo 2


 - Se sentiu idiota e covarde, sendo carregado para sua casa daquela forma. Thomas vinha galopando logo atrás, encarando Graham com desprezo. O que seus irmãos diriam? O que esses cavaleiros fariam?

CAPÍTULO 2


Ao chegar na propriedade da família de Graham, desceram do cavalo e Thomas logo puxou um pequeno crucifixo de dentro da capa e o beijou, temeroso, sem que seu companheiro visse. Bard puxou Graham para o chão, que caiu encolhido de cara na lama. Através de seus olhos embaçados pelas lágrimas e lama, viu seus irmãos saindo pela porta. O fogo queimava forte na cozinha iluminada, deviam estar todos à mesa o esperando para o jantar.

- Graham!?

James, o irmão mas novo, saiu correndo em sua direção e parou abruptamente, cerrando as mãos, quando Bard desembainhou sua espada.

- O irmão de vocês andou se metendo em confusão novamente - falou numa voz divertida. - Me senti na obrigação de vir até aqui para tentar enfiar algum juízo nessa cabeça oca dele - disse num tom como se explicasse tudo, cuspindo na direção de Graham, que choramingava pateticamente ainda no chão.

- Maldição, Graham! O que você fez desta vez? - Brian se aproximou furioso. Ergueu Graham do chão, ignorando o brilho da espada sedenta de sangue.

- Seu irmão teve a petulância de tentar nos tirar dinheiro com um quadro velho. Mas não achei que seria justo, aquilo não valia nem meia cebola. Agora, eu sei que aí dentro pode ter algo valioso - com um olhar malicioso apontou o dedo para o barraco que estava silencioso. - Thomas, entre lá e me traga o que achar.

Graham cuspiu lama tentando balbuciar algo. Não podia deixar que entrassem e fizessem mal à sua família. Sua esposa e seu filho estavam sozinhos lá dentro. Queria pedir para que seus irmãos lutassem, se colocassem à frente e protegessem sua mulher e filho, mas, tudo o que conseguiu fazer foi choramingar e cuspir lama.

Sentiu seu irmão estremecer de raiva e medo enquanto o mantinha em pé, com um braço por volta de sua cintura, deixando-o apoiar todo o seu peso em seus ombros. Mas foi o irmão mais novo quem se pronunciou. James, que apesar de seus 15 anos de idade apenas, tinha coragem reunida pelo seus outros dois irmãos mais velhos juntos. Ele, que tão novo, nunca tivera uma oportunidade de se provar valente, nunca havia se envolvido em uma briga séria, portanto, nunca quebrado um braço ou sentido o gosto de sangue na boca após um soco. Ele, que sem ter conhecimento dessas dores, foi quem pisou firme e se impôs frente aos cavaleiros do rei. Como o pai de Graham um dia fizera.

- Deixem Lena em paz! Deixem Lena e seu filho em paz. Vão embora e nós mesmo colocaremos juízo em nosso irmão - sua voz era firme e decidida. Algo sombrio parecia ter tomado conta de James, não parecia mais um garoto de 15 anos, aparentava ter envelhecido alguns bons anos em questão de segundos. Poderia ser até mesmo a imaginação de Graham, mas James parecia estar com um brilho anormal nos olhos. Sua postura era de alguém que inspirava medo e só um tolo o desafiaria.

Bard riu.

- Você é quem precisa de algum juízo nessa cabeça. Não recebemos ordens de fazendeiros. Thomas, não me faça esperar.

O que aconteceu ali talvez tenha chocado mais a Thomas do que a Graham, Brian ou até mesmo Bard. Thomas estava observando James com um olhar atônito, com a espada já em mãos, embora não se lembrasse quando havia a desembainhado - talvez quando James reuniu sua coragem para falar. Antes mesmo de Bard terminar sua frase, Thomas deu dois ou três passos largos para frente e atravessou sua espada pelo coração de James, antes que o garoto pudesse notar a chegada abrupta do cavaleiro. Antes de puxar sua espada de volta, Thomas sussurrou algo para James. Algo que nem Graham nem ninguém pode ouvir, pois, os gritos de horror dos dois irmãos cortaram a noite. Brian soltou Graham, que caiu de joelhos ainda gritando pelo irmão, e se jogou para frente, fosse para acudir o irmão ou fosse para avançar em Thomas, foi agarrado por Bard por trás, fechando seu braço em volta de seu pescoço. Brian se debatia, quase sem ar, enquanto Thomas seguia decidido para dentro do barraco.

Graham se arrastou até o corpo sem vida de James. Lágrimas começaram a cair fervorosamente em seu rosto, sem saber o que fazer.

- Isso é culpa sua! Culpa sua!

Graham olhou para cima confuso, parecendo notar somente agora que seu irmão esbravejava essas palavras dezenas de vezes enquanto se debatia para se livrar de Bard. Mas a atenção de ambos se voltaram para a porta da casa ao ouvirem o lamento de Lena, que caiu também de joelhos ao se deparar com a cena. Thomas, pegando-a pelos seus cabelos loiros, a arrastou até os outros. Um horror mudo tomou conta da garota ao contemplar o corpo do cunhado e a situação do marido.

- Estava nos fundos fazendo a criança dormir.

- Deixem meu menino em paz, por favor - suplicou Graham à Thomas.

- Vocês quatro deveriam ser passados na espada, assim como seu irmão mais novo - Thomas levou a mão à espada novamente.

- Já chega! - Esbravejou Bard, apertando o braço com tanta força que Brian já mal se mexia. - Receio que meu companheiro aqui tenha deixado as coisas fugirem um pouco do controle - seu olhar para cima de Thomas foi tal que o soldado soltou finalmente os cabelos de Lena, dando um passo para trás, como se pedisse desculpas. - Minha intenção era me divertir um pouco aqui - seu olhar se demorou em Lena - mas Thomas tomou um pouco da diversão para si. Creio que isso coloque um ponto final na lição.

Soltando o braço, jogou Brian no chão. Embainhou sua espada novamente observando os três em volta do corpo do rapaz. Era uma visão deplorável, especialmente Graham. Com uma risada arrastada, levou a mão ao bolso da capa e atirou quatro moedas aos pés de Graham.

- Não foi por isso que você veio me procurar?

Dica de leitura para 2019 - O Reino Oculto

Dica de leitura para 2019 - O Reino Oculto


Nada melhor do que iniciar o ano com o pé direito, lendo histórias novas, comprando livros novos, conhecendo novos autores e - por que não? - dando início a novos projetos.

Assim como ler, escrever também sempre foi como uma terapia e paixão para mim. E decidi realmente levar a sério e por as coisas "no papel" de fato. Inspirada na história de Gabriel Picolo, que escrevi aqui, com seus 365 days of Doodle, decidi dar continuidade a minha história, que já venho desenvolvendo há anos em segundo plano na minha cabeça, me dedicar à ela durante todos os dias e postar aqui um capítulo por semana, de acordo com o possível.

Por isso, essa é a dica para esse ano, uma leitura com personagens e enredo originais. Uma história que contará os caminhos que um homem tomou indo de encontro à tragédia. Apegado à um passado que nem ele mesmo sabia ser verdadeiro ou não, sem saber qual a real profundidade que ele carregava. Deixando a ganância moldar sua vida, fechando os olhos para as coisas que realmente importavam. História de um homem que chegou perto de entender toda a verdade, mas que se deixou levar pelo caminho mais fácil.

Sem me alongar e revelar muito mais sobre essa história e toda a fantasia que permeia ela, deixo aqui o primeiro capítulo, que apenas arranha a superfície de uma história grandiosa.

CAPÍTULO 1 


Desde que era pequeno ouvia dizer como sua família um dia fora rica e influente. Cresceu com seu pai contando histórias da “era de ouro” de seus antepassados, do grande castelo que um dia possuíram. Histórias de grandes conquistas e histórias de grandes banquetes ao lado do rei. Essas eram suas histórias favoritas e seu pai nunca cansava de lhe contar durante a noite, antes de colocá-lo para dormir. Porém, a única coisa que sobrara dessa era fora um quadro com uma moldura ornamentada em prata que seu pai um dia lhe dera de presente. Guardava como seu tesouro, uma pequena lembrança de uma família que ele nunca conhecera.
Graham estava de pé na cozinha observando o quadro em suas mãos, perdido em pensamentos sobre seu velho pai, encarando uma velha senhora de feições não muito agradáveis, bem vestida e com um olhar pálido.
- Você irá me desculpar por isso - disse limpando a grossa camada de poeira que cobria o quadro com a manga da blusa. - E eles irão me agradecer. Talvez não tão rápido, mas sei que irão.
- O que você está fazendo aí?
Graham olhou assustado para a porta. Seu irmão mais novo, James, havia chegado com uma braçada de lenha. Respirando pesado devido ao peso que carregava. Com passos largos, espalhando lama pela pequena cozinha, soltou a lenha debaixo do fogão e se aproximou de Graham, olhando o quadro por cima do ombro do irmão.
- Olhando esse quadro velho de novo? Por que você não vem nos ajudar? Logo vai anoitecer.
- Não é apenas um quadro velho, James. É a pintura da... bisavó da nossa bisavó, eu acho.
- É tão velho que você nem tem certeza para quem está olhando - seus olhos se demoraram na prata. - Te conheço muito bem, irmão. Sei bem que você não está aqui em pé dedicando seu tempo aos seus amados antepassados.
- "Meus amados antepassados"? Eles eram sua família também, não se lembra? Meu sangue, mesmo sangue que corre em suas veias - disse furioso, batendo no braço do irmão.
- Sim. E eu os respeito. Mas este é o presente irmão. - disse estendendo a mão em direção a cozinha enlameada, com algumas cebolas e cenouras em cima da mesa, ao lado de um pão velho. - Pare de viver no passado e construa seu presente conosco. Sua esposa e seu filho precisam de você. Seus irmãos precisam de você. Especialmente quando ainda há várias braçadas de lenha para carregar. Venha nos ajudar antes que anoiteça.
Com um sorriso sincero e um aperto carinhoso no braço do irmão, James voltou para fora. Ele sempre fora o que menos entendia e isso deixava Graham frustrado. Ele achava mesmo que ele não sabia que sua família precisava dele? É claro que tinha consciência disso. Era o irmão mais velho, com uma jovem esposa e um menino de 5 anos. Encarregado pelos irmãos desde que seus pais morreram assassinados por cavaleiros do rei. Será que eles não entendiam? Se sua família ainda fosse rica e influente como fora um dia, isso nunca teria acontecido. Aqueles cavaleiros não teriam passados por eles como se fossem nada, não teriam deixado seus cadáveres para trás. Quando o nome de sua família carregava tanto ouro quanto reconhecimento, eles sentavam ao lado de reis em banquetes. Viviam em um castelo ao invés de uma barraca. Tinham servos e governavam cidades ao invés de meter as botas na lama e se contentar com uma sopa rala.
Eram todos tolos e fracos, e um dia iriam se ajoelhar para agradecer pela glória que ele traria para casa, pela vida que daria ao seu filho ao lado do rei, com as melhores armaduras e se fartando nos banquetes. Pois ele era o único com coragem o suficiente para ao menos tentar recuperar a antiga vida que sua família levava.
E essa noite, seus irmãos iriam agradecer pela comida que ele traria. Estava cansado de sopas ralas e sabia que todos também estavam. Enfiou o quadro numa bolsa e jogou os cordões no ombro. Um choro de criança ecoou no fundo da casa e ouviu sua mulher entoar uma canção para acalmar o filho. Respirando fundo e se sentindo determinado, saiu porta a fora.
Brian, seu irmão mais velho, estava cortando a lenha enquanto conversava com James, de cabeça baixa aos sussurros. Sem dizer uma palavra seguiu deixando seus irmãos para trás, tomando a estrada que levava à cidade com o frio cortando contra suas vestes gastas.
As ruas estavam cada vez mais cheia e cada vez mais fedida. A pobreza estava se espalhando de uma forma que ele nunca tinha visto. Apertou a corda de sua bolsa contra seu corpo, como se estivesse com medo de que roubassem seu único item de valor que lhe restara. Apertou o passo para entrar numa hospedaria bem conhecida por todos ali, onde vários pedintes estavam sendo enxotados sem dó por um homem corpulento, que logo voltou para o galpão ao lado, cuidando dos cavalos.
Com todas as mesas lotadas, havia uma pequena aglomeração de gente ali dentro se aconchegando ao fogo da lareira nos fundos, em pé buscando o calor do fogo. Mesmo com aquele emaranhado de gente, podia-se ver com facilidade as capas grossas e vermelhas caindo sobre as armaduras que brilhavam à luz do fogo. As vestes daqueles cavaleiros faziam um contraste escandaloso contra os trapos puídos que todos usavam por ali. Graham desejou com toda força ser um daqueles dois cavaleiros, que ocupavam a mesa mais próxima da lareira. Fechou a porta da hospedaria e sentou em um dos únicos lugares vagos, longe da lareira numa banqueta bamba ao balcão, e sentiu o cheiro de comida golpear seu estômago vazio. Jurou que a mesa ao lado poderia ouvir o som que ele fazia. Talvez a dona do estabelecimento tivesse ouvido, pois, de má vontade, se aproximou olhando Graham de cima a baixo.
- O que o traz aqui, Horroway? - notou um certo desprezo na última palavra, que fora dita alto o bastante para que todo o bar ouvisse e parassem para olhá-lo com um certo desprezo também.
Um fio de ódio se acendeu dentro dele ao ver a reação daquelas pessoas ao ouvirem seu nome.
- O que há para comer essa noite?
- Pão mofado, cerveja e sopa de cebola. Para quem me mostrar algumas boas moedas - disse lhe dando as costas, alcançando dois copos empoeirados.
- Só isso? Não mais do que tenho em casa - a decepção saiu num tom mais alto que ele pretendia.
- Então sugiro que volte para o buraco de onde saiu. Você está ocupando lugar aí - disse sem se virar, enchendo os copos com cerveja de um velho barril.
Graham ficou sentado sem se mover, observando as costas da mulher enquanto ela saia para levar a cerveja para os dois cavaleiros. Ele não trocaria seu fino quadro com bordas de prata por pão mofado. Isso ele já tinha em casa. Puxou o quadro para mais perto, abraçando-o como se fosse uma criança com medo de que roubassem seu brinquedo favorito, enquanto observava os dois cavaleiros na mesa, que riam alto ostentando uma quantidade de pão - que não pareciam mofados - maior do que as outras mesas e um cordeiro fumegante. Gillian, a dona da hospedaria, estava em pé ao lado da mesa, rindo e passando a mão no ombro de um dos guardas, que beirava uns dois metros de altura, chutou Graham. Seu amigo ao lado, ligeiramente mais baixo, ambos com suas armaduras brilhantes e capas vermelhas, sentados ao fogo, comendo o que ninguém mais tinha para comer. Quando deu por si, estava se aproximando da mesa a passos lentos, ainda agarrado ao quadro. Os cavaleiros pararam de rir ao notar sua presença. O maior deles, deu um sorriso debochado para o companheiro e se virou para a mulher.
- Muito bem, Gilly, vá limpar a cozinha - deu um tapa na bunda da mulher que saiu imediatamente - Parece que nossa comida já está começando a atrair os ratos.
Os dois riram de forma estridente.
- Eu tenho uma ofer... - sua voz falhou ao ver que todo o bar tinha olhos nele.
O guarda levou a mão teatralmente ao ouvido.
- O que disse?
Graham se endireitou, baixando as mãos e estufando o peito.
- Eu tenho uma oferta para vocês.
A risada explodiu no bar inteiro.
- O que um Horroway teria para nos oferecer?
- Prata - manteve sua voz firme, apertando o cordão da bolsa.
O cavaleiro se endireitou na cadeira para encarar Graham com uma expressão de leve interesse e diversão.
- Prata, você diz, é? - acariciou a barba com a mão enquanto olhava para o companheiro - O homem tem prata. Em troca de que, eu me pergunto.
- Comida. - disse resoluto. Olhou para os pães e a carne. - Comida decente ou dinheiro para comprar em outro lugar.
O cavaleiro bebeu um grande gole de sua cerveja, parecendo pensativo.
- Muito nobre. Afinal, quem não precisa de comida, não é, Thomas? - disse cortando um grande pedaço de carne. Levando-o à boca, se virou para seu companheiro. - Pensei que ele me pediria algum serviço envolvendo assassinar alguém ou algo assim, afinal, estamos com um certo gosto para isso hoje a noite, não é?
A mesa explodiu em risadas novamente. Metade do bar, sem pensar duas vezes, se levantou e saiu sem olhar para trás, a outra metade ficou com um sorriso malicioso no rosto, esperando algo acontecer.
- E onde está a prata?
Graham amarrou a cara tentando ignorar a fome enlouquecida que sentia misturada com a raiva. Sua cabeça estava girando e perdendo a paciência. Empurrou a bolsa na mão do cavaleiro.
- Aqui está. É autêntica, não é porcaria. Cavaleiros, eu tenho uma criança e esposa para alimentar.
- O fato é que nós sabemos muito bem quem você é, Graham Harroway - disse empurrando a bolsa na mesa para seu companheiro abrir e se levantou - Sabemos a vergonha que você é para a sua merda de casa.
- Mas que porra é essa? - Thomas se levantou lançando a cadeira para trás, jogando o quadro na mesa como se fosse algo infectado. - Essa é a sua prata? Acabe com essa palhaçada, Bard.
Bard pegou o quadro e riu.
- Foi por essa merda que você veio nos incomodar? Acha que somos idiotas?
- Isso tem valor - a voz de Graham tremia de fúria - Se não querem, me devolva e tento vender para outra pessoa.
- Ninguém quer você incomodando com essas porcarias por aí. Esse quadro vai para o lugar onde ele pertence - disse jogando o quadro no fogo da lareira.
- Seus malditos idiotas! Por que fizeram isso?
Sua fúria explodiu antes que pudesse pensar claramente, assim como seu nariz. Caiu de costas na mesa, zonzo. Os ocupantes saíram aos tropeços imediatamente.
- Vou mostrar a você quem é o maldito idiota.
E sentiu dois chutes no estômago, vindo de Thomas. Bard o levantou antes que pudesse recuperar o ar e acertou uma cabeçada que tirou Graham de si. Sentiu o chão bater contra seu corpo. Com o rosto quente de sangue, tentou se arrastar para a porta.
- Acho que você não está em condições de andar. Teremos que te acompanhar até em casa - disse Bard com um sorriso malicioso.
Graham foi arrastado pela lama até o cavalo de Bard. Lágrimas de vergonha e raiva se misturavam com o sangue escorrendo em seu rosto e pingavam no chão enquanto era carregado. Jogado em cima daquele cavalo, sentindo muita dor em sua cabeça e abdômen, especialmente em seu nariz quebrado, pensou em resistir, se jogar do cavalo, levantar e lutar, mas, não encontrou força nem coragem para isso. Se sentiu idiota e covarde, sendo carregado para sua casa daquela forma. Thomas vinha galopando logo atrás, encarando Graham com desprezo. O que seus irmãos diriam quando chegasse em casa? O que esses homens fariam?

Quem é o Mercenário? Saiba tudo sobre o vilão da 3º temporada de Demolidor

Quem é o Mercenário? Saiba tudo sobre o vilão da 3º temporada de Demolidor


A 3º temporada de Demolidor está chegando na Netflix no dia 19 e a ansiedade para ver o Homem Sem Medo encarando uma das maiores ameaças de sua vida está aumentando cada vez mais. Além da saída de Wilson Fisk da cadeia, mais um outro nome entra em cena para tentar acabar com a imagem do herói. Um nome já bastante conhecido entre os fãs de HQ, mas, para outros, ainda é novidade. Então, o que você sabe sobre o Mercenário?


Usando alguns codinomes como Benjamin Pointdexter, Leonard e até mesmo Demolidor (!), Mercenário (Bullseye no original) é um personagem criado por Marv Wolfman e John Romita e teve sua primeira aparição em Demolidor #131 (1976). 

Um homem incomum devido às suas impressionantes habilidades, como super mira, mestre nas artes marciais e capaz de transformar qualquer objeto numa arma letal. Até mesmo uma carta de baralho ou um lápis. Sua origem é desconhecida e o único fato revelado sobre seu passado é que ele provavelmente pôs fogo na casa onde ele e seu irmão moravam para tentar matar o pai deles. Cresceu entediado e irritado com sua vida, tentou usar suas habilidades para entrar para a Liga de Baseball e acabou matando o batedor ao jogar a bola nele. Um encanto de pessoa! Mais tarde, acabou entrando para a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, e após isso passou a trabalhar como mercenário.

Mesmo sendo introduzido aos leitores de quadrinhos lá em 1976, sua popularidade veio quando Frank Miller assumiu a série do Demolidor nos anos 80.


Com um rastro de sangue proveniente de seus vários assassinatos em New York, Mercenário acaba tendo que enfrentar o Demolidor e o derrota, o que não impediu o herói de conseguir rastreá-lo e derrotá-lo depois. Mais tarde, foi contratado para matar o advogado Matt Murdock (identidade secreta do Demolidor), porém, foi derrotado pelo próprio. Após isso, Mercenário começa a acreditar que sua vida está em ruínas, com sua reputação indo ao chão, e jura vingança. Depois de vários confrontos entre os dois, Mercenário é dado com insano, acreditando que todo mundo era o Demolidor.

Em outra ocasião, Mercenário foi contratado para assassinar Wilson Fisk, o Rei do Crime, que por sua vez ofereceu uma quantia bem maior e conseguiu fazer com que o Mercenário passasse a trabalhar para ele. Entretanto, após sair da cadeia, Mercenário descobriu que o Rei do Crime havia escolhido Elektra para matar o Demolidor, e não ele. Furioso com a informação, Mercenário acaba assassinando a moça.


Ao saber da morte de sua namorada, Demolidor parte para enfrentar o Mercenário num arranha-céu de New York, onde durante a batalha, o Mercenário cai do prédio, supostamente morrendo. Descobre-se mais tarde que a queda causou danos apenas à sua coluna, deixando-o paralisado. Com a ajuda de um lorde criminoso do Japão, Mercenário se recupera quando injetam adamantium em seus ossos.

Por um tempo, o Mercenário começa a acreditar que ele mesmo é o Demolidor. Matt acaba usando o uniforme do vilão para enfrentá-lo. Após ser derrotado, ele se lembra de quem ele realmente é e continua sendo um pé no saco do herói. Foi contratado para matar outro interesse amoroso do Demolidor, Karen, e quando a identidade do Demolidor é revelada, tenta matar novamente Matt e sua nova namorada, Milla Donovan, mas ele o derrota e usa uma pedra para cravar um alvo na testa do Mercenário.

Já durante os eventos de Guerra Civil nos quadrinhos, Norman Osborn (sim, o cara lá do filme do Homem Aranha) coloca o Mercenário na nova formação dos Thunderbolts. Suas missões envolviam capturar heróis não registrados ou até matá-los.

No grupo dos Vingadores Sombrios, Mercenário é colocado como o Gavião Arqueiro Sombrio. Após uma batalha em Asgard, o grupo de desfaz e Mercenário é capturado. Porém, ele foge matando seus carcereiros e vai atrás do Demolidor em Hell's Kitchen para desafiá-lo mais uma vez. 


Só que desta vez ele não esperava o que iria encontrar: um Homem Sem Medo possuído pela aura maligna do clã de ninjas assassinos, que, após desarmá-lo, inflige múltiplos e dolorosos traumatismos, para depois empalar o vilão com um de seus próprios punhais.


Agora na Netflix, a série do Demolidor chega para apresentar a sua 3º temporada no famoso serviço de streaming. Uma série que segue firme no catálogo, sendo até considerada a melhor produção da Netflix com a Marvel.

Essa nova temporada traz muitos desafios para Matt Murdock e um deles é lidar  com o Mercenário, que será interpretado por Wilson Bethel. A produção irá adaptar A Queda de Murdock, um clássico de Frank Miller, no qual "O Rei do Crime, Wilson Fisk, descobre a identidade secreta do Demolidor e arma um plano que vai causar a derrocada do protetor de Hell's Kitchen." 
  
No trailer revelado pela Netflix, após sair da cadeia, Fisk contrata Pointdexter para assumir o manto do Demolidor apenas para incriminar o herói perante a cidade, cometendo crimes.

Tendo visto o trailer da Netflix que introduz o agente Pointdexter e lido um pouco sobre a trajetória dele nos quadrinhos, o que você espera dessa nova temporada de Demolidor? 
 7 Teorias de Harry Potter que JK Rowling rejeitou (e outras 3 que ela aprovou)

7 Teorias de Harry Potter que JK Rowling rejeitou (e outras 3 que ela aprovou)

A profundidade do universo de Harry Potter é verdadeiramente extraordinária. Filmes, livros, podcasts, jogos, peças teatrais, turnês de estúdio, Pottermore: há uma quantidade insana de conhecimento para absorver, e tantas discussões nerds para se ter.

Com qualquer realidade fictícia desse tamanho e popularidade, inevitavelmente haverá algumas coisas que não fazem sentido, algumas potenciais lacunas na lógica e muitos e muitos pontos de interrogação. Harry Potter não é diferente aqui, mas felizmente, onde há pontos de interrogação, há fãs preenchendo os espaços em branco.

Considerando o amor desenfreado e a paixão que muitos fãs têm por esta série, existem centenas de teorias de fãs intrigantes circulando online, algumas bobas e outras genuinamente convincentes. Muito raramente, a criadora do mundo mágico, J.K. Rowling, irá abordar essas teorias, seja dando-lhes dois polegares gigantes do tamanho de Hagrid, ou tratando-os como Horcruxes e destruindo-os.

Então continue com isso Potterheads. Um dia, se você persistir, sua teoria que você trabalhou por semanas pode ser absolutamente esmagada pela única mulher que tem todas as respostas. Ou você pode pegá-la em um bom dia. Vamos olhar para as teorias rejeitadas primeiro...

7. O Patrono de Hagrid é o Canino

7 Teorias de Harry Potter

A teoria: Hagrid pode ser o personagem mais amável do universo de Harry Potter, em parte por causa da simpatia que ele provoca como resultado de sua capacidade mágica limitada.

O meio-gigante é capaz de realizar alguma magia - como visto quando ele dá a Dudley um rabo de porco -, mas a extensão total de seu poder nunca foi realmente explorada nos livros ou nos filmes, e isso, naturalmente, levou os fãs a discutirem o assunto.

Uma das maiores questões que permeiam essas discussões é se Hagrid pode ou não lançar um Patrono - um feitiço branco brilhante que evoca um animal para afastar os Dementadores. Algumas pessoas acham que ele pode, e até especularam que seu animal Patrono seria um mastim - a mesma raça de seu cão de estimação, Canino.

A rejeição: Soava uma teoria, até Rowling aparecer. Em 2015, a autora foi ao Twitter e não apenas reprimiu os rumores sobre Canino ser o Patronus de Hagrid, mas colocou um ponto final definitivo na ideia de que Hagrid poderia até mesmo lançar o feitiço em primeiro lugar.

"Hagrid não poderia produzir um Patrono. É um feitiço muito complicado."

6. Dumbledore e McGonagall eram amantes

7 Teorias de Harry Potter

A teoria: Uma das mais antigas teorias de Potter à espreita online, o elo incrivelmente estreito partilhado pelos Professores Dumbledore e McGonagall tem sido considerado, por muitos fãs, como tendo conotações românticas.

Em maio de 2007 - antes do último livro lançado - discutiram a ideia de que os professores idosos estavam apaixonados, especulando que a amizade deles era na verdade um relacionamento.

Não foram dadas muitas evidências para apoiar essas afirmações, além do fato de que eles se conhecem há muito tempo, são frequentemente vistos juntos e se tratam em termos de primeiro nome (enquanto muitos outros professores de Hogwarts usam sobrenomes). Apesar dessa falta de evidências, o Dumble-gall era um ship popular no início dos anos 2000.

A rejeição: Mesmo depois que a série de livros concluiu, Rowling continuou a deixar pepitas saborosas de informação para os fãs engolirem. Um deles veio em outubro de 2007, onde a autora revelou que Dumbledore era gay, afirmando que ele estava apaixonado por Gellert Grindelwald em sua juventude.

Embora não fosse uma rejeição direta da ideia de que Dumbledore e McGonagall estavam apaixonados, essa revelação confirmou que o relacionamento deles sempre foi platônico, desbancando a teoria de que eles tinham sido amantes em algum momento durante suas carreiras em Hogwarts.

5. Dumbledore transformou Fawkes em uma Horcrux

7 Teorias de Harry Potter

A teoria: Os últimos livros de Harry Potter começaram a se aprofundar no passado de Dumbledore, lançando uma luz sobre coisas como sua amizade com Grindelwald e a trágica morte de sua irmã, Ariana (que Dumbledore pode ter sido responsável).

A conclusão aqui é que o grande bruxo não era tão perfeito quanto parecia, e ele, como todo mundo, cometeu muitos erros. Em particular, seu relacionamento próximo com o maníaco Grindelwald indicava que, em certo momento, Dumbledore estava extremamente perto de seguir um caminho mais sombrio do que o que ele escolheu.

E há alguns que acham que ele de fato percorreu esse caminho - pelo menos em parte -, especulando que o ex-diretor de Hogwarts criou uma Horcrux em algum momento de seu passado. Horcruxes exigem que o dono tenha cometido um assassinato a fim de fraturar suas almas, e já que Dumbledore pode ter lançado a maldição que matou sua irmã, esta possibilidade estava muito lá.

A rejeição: Por mais interessante que essa ideia seja, Rowling apareceu logo depois que a teoria começou a circular, desbancando-a em sua página no Twitter.
"A ideia de que alguém acredite nisso é estranhamente perturbadora para mim"

 4. Snape é um vampiro e Draco é um lobisomem

7 Teorias de Harry Potter

A teoria: Um golpe duplo, desde que Rowling desmascarou os dois ao mesmo tempo.

Snape sendo um vampiro e Draco sendo um lobisomem são duas teorias que estavam flutuando por um tempo (a teoria de Draco até tem seu próprio site em inglês), e embora ambos pareçam absurdos, os fãs, para seu crédito, conseguiram identificar algumas evidência.

Por um lado, Draco começa a andar com o conhecido lobisomem Fenrir Greyback em O Enigma do Príncipe, e ao longo desse mesmo livro/filme, o jovem bruxo está constantemente estressado e doente. Além de sua missão de matar Dumbledore, seriam esses os sinais de uma monstruosa aflição oculta?

Quanto a Snape ser um vampiro, não há muito o que fazer (embora as menções de um ensaio sobre vampiros no livro três possam ser pistas sutis). Mas ele não tem apenas o tom de pele e geralmente o comportamento assustador de um?

A rejeição: De acordo com Rowling, todos esses sinais possíveis não significam nada, indo ao Twitter em 2015 para acabar com o mistério.
"Nunca tinha visto essa antes. Draco definitivamente não é um lobisomem (e Snape não é um vampiro)"

Snape já é um personagem imensamente complexo como está, e adicionar outro mistério ao seu passado seria um exagero absoluto.

3. Rony é Dumbledore viajando no Tempo


7 Teorias de Harry Potter

A teoria: A noção de Rony ser um Dumbledore que viaja no tempo é uma das mais prolíficas teorias de Harry Potter, e os fãs vasculharam os livros e os filmes para encontrar qualquer coisa que pudesse ligar os dois.

Evidências notáveis incluem o fato de que Harry frequentemente descreve tanto Rony quanto Dumbledore como sendo alto e magro com nariz comprido, além do fato de que Dumbledore tem uma cicatriz na perna esquerda - a mesma perna que Rony machuca em Prisioneiro de Azkaban. Além disso, Dumbledore parece ter uma qualidade onisciente sobre ele, indicando que ele já passou por esses eventos uma vez.

A rejeição: Há muito mais "evidências" que você pode encontrar online, e a coisa toda é realmente fascinante, mas Rowling - a única voz que realmente importa - acha que essa teoria é um completo lixo, e a descartou friamente em seu Twitter.

"Teoria falsa"

2. A Serpente que Harry Liberta em Pedra Filosofal é Nagini


 7 Teorias de Harry Potter

A teoria: É uma pena que essa teoria não seja verdadeira: é simples, acrescenta um pouco mais de sabor aos anos pré-Hogwarts de Harry, e teria significado que sua jornada começou e terminou com a cobra gigante assustadora. Quão poético.

Logo no início do primeiro livro/filme, Harry visita um zoológico com os Dursleys como parte da festa de aniversário de Dudley. Enquanto lá, ele inconscientemente libera uma jiboia gigante, que desliza para longe e nunca mais é vista. 

Muitos fãs falaram sobre a ideia de que a cobra era na verdade Nagini - uma das Horcruxes de Voldemort - que conhecemos oficialmente em O Cálice de Fogo. Não há muitas evidências apoiando esse conceito (além do fato de que ambos são enormes cobras), mas como não sabemos o que aconteceu com a cobra após o incidente no zoológico, havia uma pequena chance de que essa teoria fosse verdadeira.

A rejeição: Outra grande ideia, mas recentemente, Rowling deu um fim definitivo a toda e qualquer especulação. 
Nãão... Pensei que já tinha derrubado essa! A jiboia que escapou em A Pedra Filosofal não era Nagini. Nunca foi Nagini. Essa é uma teoria incorreta porém muito persistente!"

E recentemente descobrimos que a origem de Nagini será abordada no filme de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald que estreia dia 15 de novembro. Confira tudo o que você precisa saber sobre a Nagini.

1. Estudantes de Hogwarts devem pagar dezenas de milhares de taxas.


 7 Teorias de Harry Potter

A teoria: O tema do dinheiro é um grande negócio na comunidade de fãs de Harry Potter. Desde que Rowling criou esse mundo quase que até parece real a essa altura, os fãs querem saber todos os pequenos detalhes sobre todos os cantos do universo mágico, e "taxas de matrícula de Hogwarts" é um desses detalhes.

O custo dessas hipotéticas taxas tem sido especulado por um longo, longo tempo, mas em 2015, um artigo explorando o assunto começou a rodar. Um site estimou que o custo de frequentar Hogwarts para o primeiro ano seria de cerca de US$ 43.031, o que inclui US$ 1.031 em suprimentos e um escalonamento de US$ 42.000 em taxas. Accio dívida enorme?

A rejeição: Não demorou muito para que Rowling percebesse este artigo, e a autora rapidamente acrescentou seus próprios dois centavos à discussão, afirmando que a matrícula em Hogwarts é gratuita e que o Ministério da Magia cobre o custo da educação.

"Não há taxas de matrículas! O Ministério da Magia cobre os custos de toda a educação mágica"

Mundo Mágico 1 - 0 Realidade.

E agora para as teorias ela deu um joinha...

3. Krum pronunciando o nome de Hermione de forma errada foi escrito para nos ensinar o jeito certo


 7 Teorias de Harry Potter

A teoria: No Cálice de Fogo, Hermione acaba se envolvendo com o búlgaro Viktor Krum, e os dois vão juntos ao luxuoso Baile de Inverno de Hogwarts.

Ao longo de seu namoro, Krum - por causa do inglês não ser sua língua nativa - se esforça para pronunciar seu nome corretamente (ele a chama de "Her-My-Own" ao invés de "Her-My-Oh-Knee"). Então, Hermione decide ensiná-lo da maneira correta.

Há muitos leitores de livros que também têm dificuldade com a pronúncia e, como resultado, alguns fãs postularam que Rowling havia escrito essa parte do romance para nos ensinar como dizer "Hermione" corretamente.

A aprovação: E... eles estavam certos! Rowling recentemente confirmou que ela realmente incluiu a passagem "Hermione ensina Krum" como uma maneira de ensinar seus leitores.

"Teoria correta"

2. Dumbledore é a Morte


 7 Teorias de Harry Potter

A teoria: No livro Relíquias da Morte (e primeiro dos dois filmes), Hermione lê uma história chamada O Conto dos Três Irmãos. Nesta história, três irmãos mágicos encontram a Morte, que oferece a cada um deles um prêmio por superá-la: a Capa da Invisibilidade, a Varinha das Varinhas e a Pedra da Ressurreição. Combinados, esses itens formam as Relíquias da Morte.

Ao longo dos anos, os fãs ligaram esses três irmãos a um personagem diferente de Harry Potter. Dizem que o irmão da Varinha Ancestral representa Voldemort, um homem obcecado pelo poder; Acredita-se que o irmão da Pedra da Ressurreição seja Snape, um homem que quer estar com seu falecido amor (Lily Potter); e o irmão da Capa da Invisibilidade é dito representar Harry.

Mas se tudo isso é verdade ... então quem é a Morte?

Uma teoria popular diz ser Dumbledore. Mas por que? Bem, em um ponto no tempo, ele estava de posse de cada uma das três Relíquias, assim como a Morte na história. Além disso, quando Harry "morre" nas mãos de Voldemort no filme final, ele acaba em uma versão celestial da estação de King's Cross, onde ele é recebido por ninguém menos que Dumbledore.

A Aprovação: Esta é uma teoria muito forte, pensativa, com muitos paralelos interessantes entre Snape, Harry, Voldemort e Dumbledore, e os personagens da história dos Três Irmãos. Então não é surpresa ouvir que Rowling também ama a ideia. 

"Dumbledore como a morte. É uma bela teoria e se encaixa"

1. A Horcrux de Harry não foi destruída pela mordida do Basilisco porque ele não morreu

 7 Teorias de Harry Potter

A teoria: Com os livros finais de Harry Potter revelando que o veneno de Basilisco é capaz de destruir Horcruxes (um método que Rony e Hermione usaram para destruir a Taça da Lufa-Lufa em As Relíquias da Morte), um momento na Câmara Secreta de repente se tornou uma grande questão.

Já que Harry é uma Horcrux, por que a Horcrux não foi destruído quando o basilisco o mordeu?

Isso se tornou um grande ponto de discórdia por anos, mas uma das respostas mais aceitas para essa pergunta é bem simples: já que Harry não morreu, nem a Horcrux morreria. Uma solução aparentemente boa, mas sem comentários oficiais sobre o assunto, isso fez com que ela permanecesse firmemente em território de teoria.

A aprovação: Em 2015, Rowling abordou esse assunto diretamente, twittando para um fã que se perguntou por que a Horcrux de Harry estava ilesa após ser tocada pelo veneno de Basilisco. Como a autora afirma, a teoria de que Harry precisaria ter morrido para que a Horcrux fosse destruída era, de fato, verdadeira.

"O receptáculo de uma Horcrux tem que ser destruído ALÉM DO REPARO, então Harry precisaria ter MORRIDO.

Harry chegou perigosamente perto da morte, mas depois de ser salvo pelas lágrimas de Fawkes, ele foi capaz de se recuperar completamente, o que significa que a Horcrux permaneceu segura até que Voldemort a destruiu involuntariamente no livro sete. 

Qual dessas teorias - rejeitadas ou aprovadas - é a sua favorita? Compartilhe suas escolhas nos comentários!



Traduzido do What Culture.
4 novos livros para conhecer em outubro

4 novos livros para conhecer em outubro


Se tem uma coisa que a gente ama são livros novos, novas histórias para acompanhar, páginas novas para descobrir. E outubro é o mês de lançamentos de livros fantásticos. Confira os títulos abaixo.


Princesa das Cinzas

Autora: Laura Sebastian
Editora: Arqueiro
A jovem Theodosia tem seu destino alterado para sempre depois que seu país é invadido e sua mãe, a Rainha do Fogo, assassinada. Aos 6 anos, a princesa de Astrea perde tudo, inclusive o próprio nome, e passa a ser conhecida como Princesa das Cinzas.
A coroa de cinzas que o kaiser que governa seu povo a obriga a usar torna-se um cruel lembrete de que seu reino será sempre uma sombra daquilo que foi um dia. Para sobreviver a essa nova realidade, sua única opção é enterrar fundo sua antiga identidade e seus sentimentos.
Agora, aos 16 anos, Theo vive como prisioneira, sofrendo abusos e humilhações. Até que um dia é forçada pelo kaiser a fazer o impensável. Com sangue nas mãos, sem pátria e sem ter a quem recorrer, ela percebe que apenas sobreviver não é mais suficiente.
Mas a princesa tem uma arma: sua mente é mais afiada que qualquer espada. E o poder nem sempre é conquistado no campo de batalha.


O Livro do Hygge - O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz

Autor: Meik Wiking 
Editora: LeYa
Best-seller internacional, com direitos de publicação vendidos para 26 países, Hygge – O segredo dos dinamarqueses para uma vida feliz em qualquer lugar apresenta o pilar da vida dinamarquesa e oferece dicas e ideias para incorporá-lo ao nosso dia a dia. A Dinamarca é apontada como o país mais feliz do mundo, e os motivos para isso vão muito além das suas condições políticas e sociais. Os dinamarqueses têm hábitos muito simples e uma maneira particular de ver a vida, que os ajudam a se sentir felizes, não importa o que aconteça. A boa notícia é que tudo isso pode ser importado por qualquer país do mundo, inclusive o Brasil! Meik Wiking, o autor do livro, é CEO do Instituto de Pesquisa sobre a Felicidade, ou seja, sabe muito bem do que está falando. E ele afirma que o segredo da felicidade dinamarquesa é o hygge (pronuncia-se “rôga”), um sentimento de conforto, convivência e bem-estar que pode ser criado em qualquer tempo e lugar.
Em outras palavras, hygge é conforto, clima, presença, prazer, igualdade, gratidão, harmonia, trégua, intimidade e abrigo. É bolo, café, chocolate, vela, livro, árvore e jogo de tabuleiro. Também é cheiro de grama recém-aparada, pele bronzeada, filtro solar, água salgada, churrasco, piquenique e passeio de bicicleta. E, do mesmo modo, é respeito, acolhimento, pertencimento, coletividade e simplicidade.

A grande solidão

Autora: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
Alasca, 1974.
Imprevisível. Implacável. Indomável.
Para uma família em crise, o último teste de sobrevivência.
Atormentado desde que voltou da Guerra do Vietnã, Ernt Allbright decide se mudar com a família para um local isolado no Alasca.
Sua esposa, Cora, é capaz de fazer qualquer coisa pelo homem que ama, inclusive segui-lo até o desconhecido. A filha de 13 anos, Leni, também quer acreditar que a nova terra trará um futuro melhor.
Num primeiro momento, o Alasca parece ser a resposta para tudo. Ali, os longos dias ensolarados e a generosidade dos habitantes locais compensam o despreparo dos Allbrights e os recursos cada vez mais escassos. Porém, o Alasca não transforma as pessoas, ele apenas revela sua essência. E Ernt precisa enfrentar a escuridão de sua alma, ainda mais sombria que o inverno rigoroso. Em sua pequena cabana coberta de neve, com noites que duram 18 horas, Leni e a mãe percebem a terrível verdade: as ameaças do lado de fora são muito menos assustadoras que o perigo dentro de casa.
A grande solidão é um retrato da fragilidade e da resistência humana. Uma bela e tocante história sobre amor e perda, sobre o instinto de sobrevivência e o aspecto selvagem que habita tanto o homem quanto a natureza.


O papa contra Hitler

Autor: Mark Riebling
Editora: LeYa
Escrito pelo escritor e pesquisador Mark Riebling, expert em serviços de inteligência e espionagem, O papa contra Hitler se baseia em transcrições e documentos confidenciais para narrar uma batalha épica e joga luz sobre uma das maiores controvérsias históricas de nossa era: a postura supostamente neutra da Igreja diante do nazismo. Até a publicação de O papa contra Hitler, a história oficial acusava o pontífice Pio XII, ocupante do cargo durante a Segunda Guerra Mundial, de cumplicidade com o Holocausto – chegando inclusive a chamá-lo de “O Papa de Hitler”. Mas uma parte determinante desse episódio ainda não havia sido contada: Pio XII comandou um dos maiores esquemas de espionagem para derrotar o nazismo.
O papa contra Hitler documenta detalhadamente cada lance desse embate perigoso ao narrar episódios tão fascinantes quanto o dos jesuítas armados que roubaram plantas das casas de Hitler e o voo de um editor de livros católico que atravessou os Alpes carregando informações secretas obtidas junto à chefia dos guarda-costas do Führer. Até o guardião da cripta do Vaticano se envolveu com atos de espionagem que frustraram planos de guerra alemães, como o envio de uma pasta-bomba que chegou a ferir Hitler. Ainda assim, os atos secretos de Pio XII silenciaram sua resposta pública ao nazismo: temendo que protestos veementes impedissem suas ações, o papa nunca pronunciou as palavras incendiárias que desejava.



E ai? Qual livro você mais quer ler?
Você já conhece as incríveis ilustrações de Marc Simonetti?

Você já conhece as incríveis ilustrações de Marc Simonetti?


Nunca deve se julgar um livro pela capa. Mas quem que nunca saiu de uma livraria sorridente com aquele livro em mãos só porque a capa era linda demais e você não conseguia tirar os olhos dele?

Marc Simoneti ilustrações

Há livros que, apesar de já contarem uma história incrível, alguns profissionais ainda adicionam aquelas ilustrações maravilhosas, deixando-os com aquelas capas impressionantes. O resultado final é uma obra irresistível. As histórias começam a ganhar vida através da capa. No mundo fantástico e surreal  ilustrado na capa é onde sua mente estará, mesmo que inconscientemente, toda vez que você ler o livro ou simplesmente lembrar da história ou do personagem. 

Mas ao mesmo tempo que a capa nos encanta e chama nossa atenção, quase nunca nos perguntamos "quem foi que desenhou essa capa? Quem que realizou este belíssimo trabalho?"
Eu mesmo nunca havia pensado nisso, até que certo dia me deparei com um nome pelos grupos do Facebook. Marc Simonetti. Você tem aí um livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo encostado na sua prateleira? Isso mesmo, abra seu livro de Game of Thrones no verso da folha de rosto e procure pelo ilustrador.

Marc Simonetti é um freelancer francês autor de ilustrações incríveis, das quais muitas você já viu por ai, pelas livrarias ou pela internet. E não é só de Game of Thrones que ele construiu sua fama. As versões brasileiras dos livros de A Crônica do Matador do Rei são obras suas também, assim como outros grandes títulos da fantasia atual. Enfim, não descreverei seu trabalho, nenhuma palavra dita aqui faria jus. Apenas o aprecie.

Marc Simonetti ilustrações

Marc Simonetti ilustrações

Marc Simonetti ilustrações


Marc Simonetti ilustrações

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Aproveite e veja também os ilustradores que estarão na CCXP18.