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O Reino Oculto - Capítulo 8

O Reino Oculto - Capítulo 8




CAPÍTULO 8 

Bastian parou sua carroça a poucos metros da entrada da árvore. Apanhou uma maçã e deu a Malhado como agradecimento à viagem feita.
- Você espere aqui, sim? - disse à Graham - Quando for hora o chamarei.
Graham desceu da carroça olhando para o campo ao redor da árvore pensando em explorá-lo enquanto não era chamado. Havia algumas casas ali e podia ouvir água correndo em algum lugar ali perto.
- Não há motivos para espera - uma voz lenta e calma chamou a atenção imediata dos dois para a entrada da árvore.
Parada ali, entre as folhagens que caiam da árvore, estava uma figura franzina de uma mulher. De estatura baixa, cabelos brancos e semi presos, vestida numa toga vermelha escura, simples.
- Eméreter - Bastian retirou seu chapéu e segurou-o firme ao peito enquanto se curvava diante da mulher.
- É bom te ver de volta, Bastian. Entre e traga seu convidado, o chá está quase servido.
Em silêncio os dois entraram na árvore. Graham não viu outra opção senão segui-los. Se aproximou lentamente e ergueu as duas mãos para afastar as folhas que caiam suavemente para se aproximar da árvore. Parou diante da entrada por alguns segundos para admirá-la. Era como se o tronco da árvore se retorcesse para cima abrindo um portal para dentro dela. Ao cruzá-lo, um forte aroma amadeirado invadiu suas narinas. Ficou estonteado por um instante, mas logo sua cabeça se acostumou e sentiu-se mais tranquilo e até menos cansado da viagem.
O interior era pouco semelhante ao lado de fora. Suas paredes eram mais escuras, era redondo e não muito amplo. De frente para a entrada, podia-se ver uma espécie de altar com lençóis branco amarelados por cima. Do lado esquerdo, Bastian se acomodava num banco baixo improvisado e do lado direito, um balcão com várias coisas em cima. Instrumentos que Graham não fazia ideia do que eram e algumas canecas de madeira escura, onde Eméreter despejava um líquido escuro e fumegante. Apanhou a caneca e esticou à Bastian.
- Vejo que ainda não superou sua perda - seu tom era sério. Bastian corou levemente levando a mão à caneca, encabulado. Eméreter não soltou. - Até vestiu-o como tal.
Os olhos de Bastian se arregalaram e seu tom passou de corado para rubro de um segundo para o outro. Por um momento, os dois se encararam enquanto seguravam a caneca. Bastian, com seus lábios levemente trêmulos, como um filho que espera a bronca de sua mãe. Graham sentiu-se terrivelmente incomodado com a situação, até que Eméreter soltou a caneca e liberou Bastian de toda a tensão que preenchia o pequeno aposento. Respirou aliviado, mas apenas até Eméreter encher outra caneca e virar-se para a sua direção.
Sem dizer uma palavra, a velha esticou a mão para que Graham a apanhasse, com o seu olhar duramente caído sobre ele, como se o julgasse em silêncio. Não pode deixar de notar como aqueles olhos eram grandes e com uma mescla de lilás ousadamente brilhando em meio ao castanho escuro. Poderia ser algo que ele nunca tivesse visto antes, entretanto, sentia que já tinha visto em algum lugar. Hesitante, Graham esticou a mão e apanhou a caneca sem tirar os olhos de Eméreter, esperando que ela falasse algo. Porém, a mulher apenas virou-lhe as costas friamente.
- Eu não pude fazê-lo - Bastian segurava sua caneca olhando de Graham para Eméreter. - Eu sinto muito, me tornei um velho tolo e fraco.
Até aquele momento Graham estava confuso, querendo erguer a mão e perguntar sobre o que estavam falando. Até que lembrou de sua última conversa com Bastian. Sentiu seu estômago despencar. Por que ele não percebera antes?
Eméreter virou-se para Graham novamente. Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios finos. Talvez não chegasse a ser um sorriso, apenas um amolecer de sua expressão séria, e virou-se para o balcão novamente.
- O que está feito, está feito. Certos caminhos não contam com retorno e não cabe a mim tentar cavar uma saída dele.
Graham não sabia se respirava mais aliviado depois disso ou se realmente deveria mesmo respirar, pois, por vários segundos, o silêncio prevaleceu no recinto, podendo-se ouvir apenas o som aquoso do líquido da jarra derramando seu conteúdo na caneca de Eméreter. Descansou a jarra sobre o balcão e virou-se para os dois.
- Pois bebam! Não recebo amigos com veneno, se é o que temem - agitou a mão vazia para os dois, bebendo um grande gole de seu chá.
Ambos pareceram se despetrificar e se aconchegaram melhor dentro da árvore. Graham sentou-se no que notou ser um toco da própria árvore talhado em forma de banco e bebericou o chá. O cheiro era engraçado e parecia dançar em seu nariz. O gosto era reconfortante e preencheu todo o seu paladar. Nada parecido com o que se espera de chás. Bebeu quase que meia caneca de uma vez só.
- Muito obrigado, Eméreter - disse Bastian. - Chá de borobur é muito revigorante, especialmente após uma viagem cansativa.
- Muito agradecido - emendou Graham, timidamente, tentando quebrar seu próprio silêncio.
- Vejo que estava preparando o altar - continuou Bastian.
- E espero que tenha encontrado tudo o que preciso do outro lado - disse mirando a cama de pedra maciça. - Amanhã, no mais tardar, ele precisará ser usado.
- Bem, então descarregarei as caixas e a deixarei trabalhar.
- Algum corpo?
- Dois adultos e uma criança.
- Deixe-os na casa velada, por gentileza. Darei um olhada em pouco tempo.
- Como queira. Graham, venha me ajudar a descarregar, sim?
Graham, ainda com a caneca mão enquanto assistia o diálogo, olhou ansioso para Eméreter.
- Está tudo bem - disse ela com calma. - Vá, em breve teremos outra oportunidade para conversarmos.

O Reino Oculto - Capítulo 6

O Reino Oculto - Capítulo 6


  Ali estava ele, diante da ponte que tantos reis não conseguiram nem chegar perto de desvendar seu segredo. Uma forte rajada de vento varreu seus cabelos para o lado e as águas começaram a correr forte. 



CAPÍTULO 6 

- Você é surdo!? Eu disse aconteça o que acontecer, mantenha-se quieto e sentado - disse Bastian exasperado, puxando Graham para baixo.
Sentou-se rapidamente pedindo desculpas e Bastian, olhando novamente na direção da ponte, ergueu a mão direita acima de sua cabeça e murmurou algo. Graham não pode entender o que o velho dissera devido ao vento forte surrando tudo o que encontrava pela frente, e até mesmo porque Bastian parecia estar conversando com a ponte num tom pouco acima de um sussurro.
Graham aguardou em silêncio. Por um momento achou que nada iria acontecer, mas o vento começou a diminuir gradativamente até ficar apenas uma leve brisa. Bastian baixou a mão que ainda estava erguida e também aguardou ansioso. Abriu a boca para começar a perguntar ao velho o que estavam esperando quando parou a meio caminho. O vento parara completamente, porém, a água do rio começara a correr mais rápido. Ao invés de correr seguindo o percurso como o normal, ela se afundava mais à frente e começava a girar, envolvendo a ponte. Em poucos segundos Graham percebeu que estava se formando um túnel de água à sua frente que se alargava cada vez mais até ficar com uns quatro metros de diâmetro. E para o espanto maior de Graham, ele pode ver a extensão da ponte se alongando para dentro do túnel, que se afundava cada vez mais no rio.
- O que acha? - Bastian se divertia com o espanto no rosto de Graham.
- Incrível!
Foi a única coisa que conseguiu pronunciar. Estava maravilhado com o que estava presenciando. Malhado começou a marchar para dentro do túnel ao comando de Bastian e Graham ficou estupefato. Dentro do túnel a água girava sem parar e a ponte encontrava-se lá, intacta, à disposição de Graham. Sentiu-se poderoso, mais poderoso do que qualquer rei. Ergueu a mão e tocou a lateral do túnel, a água corria impacientemente nas pontas de seus dedos. O sol penetrava muito pouco de modo que a luz ali era fraca, mal conseguindo iluminar o contorno de muitos peixes ao seu redor, como se estivessem impacientes, esperando o túnel se desfazer para poder atravessar livremente para o outro lado.
Deviam estar às uns 5 metros abaixo da superfície.
- Isso é magia - Não era uma pergunta. Graham tinha certeza que era e estava maravilhado com isso.
- Tem muita coisa ainda à frente para ver. Você ainda tem muito o que aprender. Apenas relaxe e aprecie a vista.
Mas Graham não conseguia relaxar, tudo aquilo era novo e surpreendente demais para absorver rapidamente.
- Me pergunto o que irei encontrar após a ponte - fantasiava com todas as maravilhas que poderia ver do outro lado.
- Nada demais. Apenas uma aldeia com pessoas tentando sobreviver.
- Sim, mas com magia.
Bastian riu.
- Como que ninguém no nosso reino sabe disso? Da existência de algo assim?
- Guarde essas perguntas para a pessoa certa.
- Qual o nome dela afinal?
- Eméreter. Aproveite para comer mais um pouco enquanto atravessamos, você ainda parece fraco. Há pães e maçãs na caixa perto de seu pé direito, se tiver a bondade de me alcançar algumas.
Graham partiu um pedaço de pão ao meio e estendeu uma maçã à Bastian. Ambos comeram em silêncio durante a travessia e se preparam para sair quando estavam perto do final.
Graham aguardou ansioso o que veria ao sair do túnel. Seria uma cidade totalmente cheia de magia com pessoas estranhas e criaturas mais estranhas ainda andando para lá e pra cá?
A luz do sol invadiu a sua visão à medida que ia saindo do túnel. Alcançaram a outra parte da ponte e Graham viu nada mais do que apenas árvores. Exatamente como era do outro lado. Olhou para trás e viu o túnel de água se desfazer e o rio voltar a correr normalmente outra vez. Olhando para além do rio, além da floresta densa, podia-se ver o castelo que ele tanto invejara, erguendo-se imponente, embora dali pudesse ver apenas o seu contorno no alto de um monte. Era grandioso e belo.
Pensou em tudo o que ficara para trás. Sua casa, sua família. Seu filho tão pequeno. Será que ele imaginaria onde seu pai pôde chegar? Poderia ele um dia mostrar ao seu filho o que ele acabara de presenciar? Desejou fortemente que sim.

Quatro livros incríveis de 2018

Quatro livros incríveis de 2018

(Imagem via We Heart It)

Preparar uma boa xícara de café quentinho, procurar o canto mais aconchegante da casa e abrir aquele livro maravilhoso com cheirinho de novo que você acabou de comprar. Esse é o cenário perfeito para quem gosta de uma boa leitura e hoje trago para vocês os melhores lançamentos de 2018.

 O Tatuador de Auschwitz 
Heather Morris 
Editora: Planeta
240 páginas
Sinopse: Nesse romance histórico, um testemunho da coragem daqueles que ousaram enfrentar o sistema da Alemanha nazista, o leitor será conduzido pelos horrores vividos dentro dos campos de concentração nazistas e verá que o amor não pode ser limitado por muros e cercas. Lale Sokolov e Gita Fuhrmannova, dois judeus eslovacos, se conheceram em um dos mais terríveis lugares que a humanidade já viu: o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. No campo, Lale foi incumbido de tatuar os números de série dos prisioneiros que chegavam trazidos pelos nazistas – literalmente marcando na pele das vítimas o que se tornaria um grande símbolo do Holocausto. Ainda que fosse acusado de compactuar com os carcereiros, Lale, no entanto, aproveitava sua posição privilegiada para ajudar outros prisioneiros, trocando joias e dinheiro por comida para mantê-los vivos e designando funções administrativas para poupar seus companheiros do trabalho braçal do campo. Nesse ambiente, feito para destruir tudo o que tocasse, Lale e Gita viveram um amor proibido, permitindo-se viver mesmo sabendo que a morte era iminente.

As Crônicas de Marte
Geroge R R Martin, Gardner Dozois, Ian McDonald
Editora: Arqueiro
496 páginas
Sinopse: Uma princesa de Marte e As crônicas marcianas, dos mestres Edgar Rice Burroughs e Ray Bradbury, foram clássicos que influenciaram a imaginação de milhões de leitores e mostraram que aventuras espaciais não precisavam se passar numa galáxia distante, a anos-luz da Terra, para serem emocionantes. Elas poderiam ser travadas logo ali, no planeta vizinho.
Antes mesmo do programa Mariner e da corrida espacial, a imaginação povoava nosso sistema solar com seres estranhos e civilizações ancestrais, nem sempre dispostos a fazer contato amigável com a Terra. E nesse período, de todos os planetas que orbitavam o nosso Sol, nenhum tinha uma aura de maior romantismo, mistério e aventura do que Marte.
Com contos escolhidos e editados por George R. R. Martin e Gardner Dozois, As crônicas de Marte retoma esse sentimento ao celebrar a Era de Ouro da ficção científica, um período recheado de histórias sobre colonizações interplanetárias e conflitos antigos.
Para essa missão, autores consagrados como Michael Moorcock, Mike Resnick, Joe R. Lansdale, S. M. Stirling, Mary Rosenblum, Ian McDonald, Liz Williams e James S. A. Corey foram convidados a regressar ao misterioso planeta vermelho, aqui representado como um destino exótico, com canais ancestrais, desertos, cidades em ruínas, civilizações impressionantes... e, é lógico, perigos inimagináveis.
Enfim, o bom e velho Marte está de volta.

Wild Cards - Guerra aos Curingas
George R R Martin
Editora: LeYa
416 páginas
Sinopse: Política, preconceito, poder, traições e grandes golpes – como seria o mundo se existissem pessoas com superpoderes? Criada pelo mestre da ficção moderna George R.R. Martin, autor da grandiosa “As Crônicas de Gelo e Fogo”, em que foi baseada a série de TV Game of Thrones, “Wild Cards” é uma fantasia urbana que leva o leitor a um mundo sombrio onde um vírus alienígena fez com que parte da população ganhasse habilidades físicas e mentais, formando um grupo batizado de ases. Outros, no entanto, foram amaldiçoados com estranhas deformidades – os curingas. O nono livro da saga, Guerra aos curingas, apresenta o segundo episódio da trilogia “Rox”, no qual um novo conflito começa a criar forma – embalada pelo violento Blaise Andrieux, acompanhado de sua gangue de saltadores, e Bomba, que governa Ellis Island, em Nova York, rebatizada de Rox, e luta pelos direitos dos curingas.

 Crônicas de Espadas e Feitiçaria
Gardner Dozois
Eitora: LeYa
512 páginas
Sinopse: O gênero de fantasia produziu muitos dos heróis que consideramos inesquecíveis. Personagens clássicos que fizeram do gênero de “espada e feitiçaria” uma sensação, uma pedra fundamental na ficção fantástica – engendrando seus próprios contos de magia e coragem em aventuras imperdíveis.
Gardner Dozois preparou uma seleção e tanto em Crônicas de espada e feitiçaria. Nas mãos de Robin Hobb, Walter Jon Williams, Lavie Tidhar, Garth Nix e George R.R. Martin, vamos rever os personagens FitzCavalaria, da “Saga do Assassino”; o aventureiro Quillifer; o “pistoleiro viciado” Gorel de Goliris; Sir Hereward e Mister Fitz; e, em Westeros, muito antes dos eventos passados em A guerra dos tronos, conheceremos a história de uma rivalidade entre irmãos da Casa Targaryen que teve feitos trágicos e desastrosos.
Esses e outros contos que compõem o volume prestam uma homenagem ao gênero tido como precursor da fantasia épica. Um mergulho profundo e divertido em histórias que, a cada dia, conquistam mais e mais leitores por todo o mundo.



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