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O Reino Oculto - Capítulo 15




CAPÍTULO 15

Na manhã seguinte, ao invés de pegar o costumeiro caminho em direção ao vale que dava no lago, tomou o caminho estreito de terra em direção à árvore. Se dera por vencido e queria que a anomalia que chamava de mão voltasse ao normal logo. Atravessou todo o campo e parou em frente a árvore por um instante, sem saber se batia palma ou pigarreava para se anunciar, quando ouviu um leve "entre" vindo lá de dentro. "É claro" pensou, sentiu-se irritado por pensar que precisava se anunciar para que ela soubesse que ele estava ali.
 - Que bom que veio - Eméreter sorria amigavelmente. - Sente-se. Espero que esteja bem, ouvi dizer que você tem aproveitado muito bem a vila durante as últimas semanas.
 - Você e Bast tem conversado muito sobre mim, aparentemente.
 - Bastian gosta muito de você. É natural que ele queira falar orgulhosamente sobre o seu bem estar e a companhia que faz a ele. E a sua companhia tem de fato feito muito bem à ele, é nítido. Fico muito satisfeita com isso, pois me preocupo com meu velho amigo.
 Graham apenas acenou a cabeça, sem saber o que dizer. Sentou-se.
 - Agora deixe-me ver sua mão - disse delicada, erguendo as suas próprias.
Relutante, Graham colocou sua mão direita sobre as de Eméreter. Parecia mais uma grotesca luva de couro quatro vezes maior do que as mãos finas e delicadas da maga.
 - Nunca vi uma mordida de Rashne dar um efeito desse - passava seu longo e fino dedo sobre a mordida. - Imagino que seja porque seu corpo não está habituado com esse tipo de animal, deixando a reação mais severa.
  Eméreter largou sua mão e virou-se para sua bancada, remexendo em suas coisas como se estivesse a procura de algo. Apanhou um pequeno instrumento fino e ergueu na altura de seus próprios olhos, o avaliando. Graham fitou o objeto com curiosidade. Era finíssimo e do comprimento de um dedo, parecia ser de algum tipo de metal. Constatou um leve arrepio percorrendo pelo seu corpo ao tentar imaginar o que ela faria com o instrumento. Sentiu-se aliviado quando a viu largando o objeto na bancada para sair resmungando consigo mesma, como se tivesse tido uma ideia melhor. Foi até a abertura da árvore e puxou duas folhas redondinhas dos galhos e voltou para dentro. Colocou as folhas dentro de um pequeno pilão de madeira, apanhou uma ampola de um conjunto com várias outras ampolas de várias cores. Escolheu uma com um líquido transparente e o despejou no pilão. Socou tudo com agilidade e se aproximou de Graham.
  - Estique seu braço, assim - ela despejou o líquido resultante da mistura em cima dos furos em sua mão, que logo foi absorvido pela sua pele, numa forma antinatural. Retirou a pasta de folhas que sobrou no fundo e colocou em cima da mordida. - Deixe assim por alguns minutinhos.
 - Obrigado - respondeu observando sua mão com curiosidade. Ela já estava seca, como se nada tivesse sido derramado sobre ela.
 - Essas folhas têm um alto poder de cura e seu corpo o absorveu rapidamente, isso é bom. Devia ter vindo o quanto antes até mim, não se sabe as reações que seu corpo pode ter em um ambiente tão diferente do que estava habituado, como esse.
 Graham ergueu o olhar para Eméreter.
 - Achei que fosse se desagradar com a minha presença, que eu a tivesse ofendido seriamente.
 Eméreter respirou fundo. Descansando o pilão em seu balcão, cruzou os braços, descansadamente.
 - Ou por que eu feri o seu orgulho? Não guardo rancores, Graham. Isso é algo que você deveria aprender também. A vida é curta demais para ocupar a mente com esse tipo de coisas.
 - Curta até mesmo para vocês, magos?
Silêncio.
 - Até mesmo para mim - respondeu, por fim.
 Os dois se encararam, num silêncio cheio de significados.
  - Bast disse que você quer me arrumar um professor - disse, por fim. - Por que eu precisaria de um professor?
  - Olhe para a sua mão e deixe que ela lhe diga. Informação é tudo e ela deve ser passada para fazer valer a sua existência. Já que você ficará aqui conosco, é bom que aprenda tudo o que precisa saber e o que precisa evitar. Apenas quero alguém para lhe explicar como as coisas funcionam por aqui. Você pode ser um ótimo ajudante para Bastian, mas precisa conhecer algumas coisas antes.
 - Você quer que eu me torne como um daqueles seus aprendizes?
 Eméreter riu.
 - Não, por favor. É diferente. Veja bem, estou lhe dando uma chance de ter uma vida nova aqui, assim como dei para essas pessoas anos atrás. Assim como eu deveria ter dado ao seu irmão - Eméreter pausou suavemente, para Graham absorver suas últimas palavras. - No entanto, você tem a opção de recusar também, não estou lhe obrigando a nada. Mas saiba que recusar conhecimento não é algo muito sábio a se fazer.
 Graham baixou o olhar para a sua mão. Estava completamente desinchada agora e sua cor havia voltado ao normal. Retirou a pastinha de folhas que estava completamente seca e viu apenas dois pequeninos furos, quase que imperceptíveis, em sua mão. Pensou em como poderia ter evitado esse desastre e dor, e em como não queria parecer como alguém de fora. Pensou em sua falta de habilidade com os cuidados básicos, principalmente envolvendo plantas. Pensou em tudo o que seu orgulho privou James de conhecer. Olhou novamente para Eméreter.
 - Quando eu começo?

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