Posts Home

Ver mais posts...

O Reino Oculto - Capítulo 6


  Ali estava ele, diante da ponte que tantos reis não conseguiram nem chegar perto de desvendar seu segredo. Uma forte rajada de vento varreu seus cabelos para o lado e as águas começaram a correr forte. 



CAPÍTULO 6 

- Você é surdo!? Eu disse aconteça o que acontecer, mantenha-se quieto e sentado - disse Bastian exasperado, puxando Graham para baixo.
Sentou-se rapidamente pedindo desculpas e Bastian, olhando novamente na direção da ponte, ergueu a mão direita acima de sua cabeça e murmurou algo. Graham não pode entender o que o velho dissera devido ao vento forte surrando tudo o que encontrava pela frente, e até mesmo porque Bastian parecia estar conversando com a ponte num tom pouco acima de um sussurro.
Graham aguardou em silêncio. Por um momento achou que nada iria acontecer, mas o vento começou a diminuir gradativamente até ficar apenas uma leve brisa. Bastian baixou a mão que ainda estava erguida e também aguardou ansioso. Abriu a boca para começar a perguntar ao velho o que estavam esperando quando parou a meio caminho. O vento parara completamente, porém, a água do rio começara a correr mais rápido. Ao invés de correr seguindo o percurso como o normal, ela se afundava mais à frente e começava a girar, envolvendo a ponte. Em poucos segundos Graham percebeu que estava se formando um túnel de água à sua frente que se alargava cada vez mais até ficar com uns quatro metros de diâmetro. E para o espanto maior de Graham, ele pode ver a extensão da ponte se alongando para dentro do túnel, que se afundava cada vez mais no rio.
- O que acha? - Bastian se divertia com o espanto no rosto de Graham.
- Incrível!
Foi a única coisa que conseguiu pronunciar. Estava maravilhado com o que estava presenciando. Malhado começou a marchar para dentro do túnel ao comando de Bastian e Graham ficou estupefato. Dentro do túnel a água girava sem parar e a ponte encontrava-se lá, intacta, à disposição de Graham. Sentiu-se poderoso, mais poderoso do que qualquer rei. Ergueu a mão e tocou a lateral do túnel, a água corria impacientemente nas pontas de seus dedos. O sol penetrava muito pouco de modo que a luz ali era fraca, mal conseguindo iluminar o contorno de muitos peixes ao seu redor, como se estivessem impacientes, esperando o túnel se desfazer para poder atravessar livremente para o outro lado.
Deviam estar às uns 5 metros abaixo da superfície.
- Isso é magia - Não era uma pergunta. Graham tinha certeza que era e estava maravilhado com isso.
- Tem muita coisa ainda à frente para ver. Você ainda tem muito o que aprender. Apenas relaxe e aprecie a vista.
Mas Graham não conseguia relaxar, tudo aquilo era novo e surpreendente demais para absorver rapidamente.
- Me pergunto o que irei encontrar após a ponte - fantasiava com todas as maravilhas que poderia ver do outro lado.
- Nada demais. Apenas uma aldeia com pessoas tentando sobreviver.
- Sim, mas com magia.
Bastian riu.
- Como que ninguém no nosso reino sabe disso? Da existência de algo assim?
- Guarde essas perguntas para a pessoa certa.
- Qual o nome dela afinal?
- Eméreter. Aproveite para comer mais um pouco enquanto atravessamos, você ainda parece fraco. Há pães e maçãs na caixa perto de seu pé direito, se tiver a bondade de me alcançar algumas.
Graham partiu um pedaço de pão ao meio e estendeu uma maçã à Bastian. Ambos comeram em silêncio durante a travessia e se preparam para sair quando estavam perto do final.
Graham aguardou ansioso o que veria ao sair do túnel. Seria uma cidade totalmente cheia de magia com pessoas estranhas e criaturas mais estranhas ainda andando para lá e pra cá?
A luz do sol invadiu a sua visão à medida que ia saindo do túnel. Alcançaram a outra parte da ponte e Graham viu nada mais do que apenas árvores. Exatamente como era do outro lado. Olhou para trás e viu o túnel de água se desfazer e o rio voltar a correr normalmente outra vez. Olhando para além do rio, além da floresta densa, podia-se ver o castelo que ele tanto invejara, erguendo-se imponente, embora dali pudesse ver apenas o seu contorno no alto de um monte. Era grandioso e belo.
Pensou em tudo o que ficara para trás. Sua casa, sua família. Seu filho tão pequeno. Será que ele imaginaria onde seu pai pôde chegar? Poderia ele um dia mostrar ao seu filho o que ele acabara de presenciar? Desejou fortemente que sim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário