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O Reino Oculto - Capítulo 2


 - Se sentiu idiota e covarde, sendo carregado para sua casa daquela forma. Thomas vinha galopando logo atrás, encarando Graham com desprezo. O que seus irmãos diriam? O que esses cavaleiros fariam?

CAPÍTULO 2


Ao chegar na propriedade da família de Graham, desceram do cavalo e Thomas logo puxou um pequeno crucifixo de dentro da capa e o beijou, temeroso, sem que seu companheiro visse. Bard puxou Graham para o chão, que caiu encolhido de cara na lama. Através de seus olhos embaçados pelas lágrimas e lama, viu seus irmãos saindo pela porta. O fogo queimava forte na cozinha iluminada, deviam estar todos à mesa o esperando para o jantar.

- Graham!?

James, o irmão mas novo, saiu correndo em sua direção e parou abruptamente, cerrando as mãos, quando Bard desembainhou sua espada.

- O irmão de vocês andou se metendo em confusão novamente - falou numa voz divertida. - Me senti na obrigação de vir até aqui para tentar enfiar algum juízo nessa cabeça oca dele - disse num tom como se explicasse tudo, cuspindo na direção de Graham, que choramingava pateticamente ainda no chão.

- Maldição, Graham! O que você fez desta vez? - Brian se aproximou furioso. Ergueu Graham do chão, ignorando o brilho da espada sedenta de sangue.

- Seu irmão teve a petulância de tentar nos tirar dinheiro com um quadro velho. Mas não achei que seria justo, aquilo não valia nem meia cebola. Agora, eu sei que aí dentro pode ter algo valioso - com um olhar malicioso apontou o dedo para o barraco que estava silencioso. - Thomas, entre lá e me traga o que achar.

Graham cuspiu lama tentando balbuciar algo. Não podia deixar que entrassem e fizessem mal à sua família. Sua esposa e seu filho estavam sozinhos lá dentro. Queria pedir para que seus irmãos lutassem, se colocassem à frente e protegessem sua mulher e filho, mas, tudo o que conseguiu fazer foi choramingar e cuspir lama.

Sentiu seu irmão estremecer de raiva e medo enquanto o mantinha em pé, com um braço por volta de sua cintura, deixando-o apoiar todo o seu peso em seus ombros. Mas foi o irmão mais novo quem se pronunciou. James, que apesar de seus 15 anos de idade apenas, tinha coragem reunida pelo seus outros dois irmãos mais velhos juntos. Ele, que tão novo, nunca tivera uma oportunidade de se provar valente, nunca havia se envolvido em uma briga séria, portanto, nunca quebrado um braço ou sentido o gosto de sangue na boca após um soco. Ele, que sem ter conhecimento dessas dores, foi quem pisou firme e se impôs frente aos cavaleiros do rei. Como o pai de Graham um dia fizera.

- Deixem Lena em paz! Deixem Lena e seu filho em paz. Vão embora e nós mesmo colocaremos juízo em nosso irmão - sua voz era firme e decidida. Algo sombrio parecia ter tomado conta de James, não parecia mais um garoto de 15 anos, aparentava ter envelhecido alguns bons anos em questão de segundos. Poderia ser até mesmo a imaginação de Graham, mas James parecia estar com um brilho anormal nos olhos. Sua postura era de alguém que inspirava medo e só um tolo o desafiaria.

Bard riu.

- Você é quem precisa de algum juízo nessa cabeça. Não recebemos ordens de fazendeiros. Thomas, não me faça esperar.

O que aconteceu ali talvez tenha chocado mais a Thomas do que a Graham, Brian ou até mesmo Bard. Thomas estava observando James com um olhar atônito, com a espada já em mãos, embora não se lembrasse quando havia a desembainhado - talvez quando James reuniu sua coragem para falar. Antes mesmo de Bard terminar sua frase, Thomas deu dois ou três passos largos para frente e atravessou sua espada pelo coração de James, antes que o garoto pudesse notar a chegada abrupta do cavaleiro. Antes de puxar sua espada de volta, Thomas sussurrou algo para James. Algo que nem Graham nem ninguém pode ouvir, pois, os gritos de horror dos dois irmãos cortaram a noite. Brian soltou Graham, que caiu de joelhos ainda gritando pelo irmão, e se jogou para frente, fosse para acudir o irmão ou fosse para avançar em Thomas, foi agarrado por Bard por trás, fechando seu braço em volta de seu pescoço. Brian se debatia, quase sem ar, enquanto Thomas seguia decidido para dentro do barraco.

Graham se arrastou até o corpo sem vida de James. Lágrimas começaram a cair fervorosamente em seu rosto, sem saber o que fazer.

- Isso é culpa sua! Culpa sua!

Graham olhou para cima confuso, parecendo notar somente agora que seu irmão esbravejava essas palavras dezenas de vezes enquanto se debatia para se livrar de Bard. Mas a atenção de ambos se voltaram para a porta da casa ao ouvirem o lamento de Lena, que caiu também de joelhos ao se deparar com a cena. Thomas, pegando-a pelos seus cabelos loiros, a arrastou até os outros. Um horror mudo tomou conta da garota ao contemplar o corpo do cunhado e a situação do marido.

- Estava nos fundos fazendo a criança dormir.

- Deixem meu menino em paz, por favor - suplicou Graham à Thomas.

- Vocês quatro deveriam ser passados na espada, assim como seu irmão mais novo - Thomas levou a mão à espada novamente.

- Já chega! - Esbravejou Bard, apertando o braço com tanta força que Brian já mal se mexia. - Receio que meu companheiro aqui tenha deixado as coisas fugirem um pouco do controle - seu olhar para cima de Thomas foi tal que o soldado soltou finalmente os cabelos de Lena, dando um passo para trás, como se pedisse desculpas. - Minha intenção era me divertir um pouco aqui - seu olhar se demorou em Lena - mas Thomas tomou um pouco da diversão para si. Creio que isso coloque um ponto final na lição.

Soltando o braço, jogou Brian no chão. Embainhou sua espada novamente observando os três em volta do corpo do rapaz. Era uma visão deplorável, especialmente Graham. Com uma risada arrastada, levou a mão ao bolso da capa e atirou quatro moedas aos pés de Graham.

- Não foi por isso que você veio me procurar?

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